Eu sempre encarei as coisas como “Read it later”. Olho, gosto. “Depois penso, depois vejo”.
Mesma coisa funciona pra o coração. Os sentimentos existem, tão aqui. Guardados no Fundo da Minha Alma, junto com muitas outras coisas. Mas enquanto eu não for forçada a soltá-los, pensar neles… A saudade não vem. O tempo passa, os anos passam, a vida passa. Muda-se a posição do sofá, muda o clima. As fotos do mural vão mudando. O papel de parede sai.
Quando alguém não aguenta mais ficar preso, parado e quieto no Fundo da Minha Alma…
Movimento: mexe, vira. Pede pra sair. Grita por socorro… E o socorro é a saudade. É o líder do movimento de rebelião.
Ela chega, ilustre, marcando presença; e a saudade é das fortes. Vingativa como só ela. Toma as dores dos prisioneiros do Fundo da Minha Alma. Luta em nome de todos. Em nome do amor aprisionado, da alegria contida, do abraço guardado, do sorriso e do choro engolidos.
Ela quer sempre compensar todo o tempo que eu a deixei por lá.
Chega, bate, toca fogo, como quem diz: “Você vai ter que me engolir!”
Faz com que eu precise cometer todos os pecados pra sobreviver.
E quando eu, na peleja, resolvo me entregar… ela vai embora.
Mas só pra poder voltar daqui a uns anos, mais raivosa e vingativa, em nome de outro sorriso, de outro abraço, de outro choro.
E eu não aprendo. A minha justiça não funciona.
Não, saudade. Se eu quisesse um sentimento Super-Homem pra libertar a população do Fundo da Minha Alma, eu não teria escolhido você…